Exposição sobre cordéis e xilogravura é inaugurada no MAUC

6 de agosto de 2019

A coleção de cordéis e xilogravuras do Museu de Arte da UFC, reconhecida nacionalmente como uma das mais relevantes do país, é tema da nova exposição do MAUC, aberta ao público na segunda-feira (5). “Célebres Cordéis: Oralidade e Poesia” apresenta ao público os folhetos de cordel presentes no acervo bibliográfico da Biblioteca MAUC Floriano Teixeira, as estampas de xilogravura do Arquivo e as matrizes de madeira sob guarda da Reserva Técnica. A exposição, gratuita, permanece em cartaz até 6 de setembro.

Idealizada pelas servidoras Auricélia França (Arquivo/MAUC), Juliana Almeida (Biblioteca Floriano Teixeira/MAUC) e Neiliane Bezerra (Biblioteca do Curso de Arquitetura e Urbanismo e Design/UFC), a mostra explora o rico universo da folhetaria de cordel e das xilogravuras cearenses do acervo do museu. Segundo as curadoras, “Esta exposição tem por finalidade divulgar e dar visibilidade a esse acervo, bem como promover a arte e a cultura, em especial a literatura de cordel e a xilogravura, promovendo uma aproximação entre o acervo do MAUC e a comunidade interna e externa à universidade.”.

A bibliotecária Neiliane Bezerra aponta que o registro da Literatura de Cordel como Patrimônio Cultural Imaterial em 2018 trará novas perspectivas para este gênero literário: “esse reconhecimento oficial é uma conquista política que põe o Cordel enquadrado como literatura oriunda da cultura de massas, cultura popular, no sentido de ‘folclore’ em posição de igualdade com todas as outras linguagens literárias, todas as outras formas poéticas consideradas superiores, normalmente apreciada por um público com maior acumulo de capital e acesso restrito a quem possui o necessário para usufruir dela.”.

Além dos folhetos, o MAUC é detentor de matrizes de madeira de importantes xilógrafos cearenses, especialmente da região do Cariri, adquiridas assim que criado o museu e depois por meio de doações. O Prof. Gilmar de Carvalho, especialista em cultura popular cearense, analisa que “Cordel e xilogravura se imbricaram de tal modo que se pensa que as capas dos folhetos sempre tiveram ilustrações escavadas em pranchas de madeira. Na verdade, as primeiras capas dos cordéis eram cegas ou gráficas. Só algum tempo depois, já nos anos 1940, entram em atividade os grandes nomes da xilogravura e toda uma geração de artistas improvisada nas pequenas tipografias, passou a dar conta das encomendas. Gente vinda da escultura, dos ofícios utilitários (Mestre Noza escavava cabos de espingarda, por exemplo), aprendeu diante dos desafios propostos e aceitos.”.

A exposição fica em cartaz até 6 de setembro, com entrada gratuita. O MAUC fuinciona de segunda à sexta-feira, das 8 às 12 e das 13 às 17 horas.